sábado, 26 de novembro de 2011

SOS Vida

O Poder Sobrenatural do Crack
   
Há algum tempo atrás um cidadão aparentando ter pouco mais de trinta anos, vagava pelas ruas centrais de Aracaju, como de costume, pois noutra vez eu já tinha observado os seus passos nas mesmas cercanias. Mostrava estar triste e deprimido como nunca, talvez como sempre. O dia de sábado era como outro qualquer na sua vida e na vida da cidade, pois o vento que soprava quente era o mesmo, o sol abrasante e causticante a tudo esquentar era o mesmo, as pessoas indiferentes, passando de um lado para o outro das ruas e nas calçadas, afastando-se do citado cidadão em misto de medo e asco eram as mesmas, a agencia bancaria a qual ele entrara era também a mesma. Entretanto, aquele carrancudo cidadão, barbudo, cabeludo, sujo, maltrapilho, esquelético, parecendo seriamente doente me lembrava de alguém, alguém conhecido, alguém que um dia já mantivera algum tipo de contato verbal comigo, mas, por mais que eu tentasse me lembrar de quem seria aquela misteriosa pessoa não conseguia. Demasiadamente curioso, dessa vez olhei mais demoradamente para aquele estranho e intrigante cidadão enquanto ele tirava dinheiro no cash do banco no mesmo instante em que as outras pessoas que ali estavam presentes trataram de fugir do recinto pensando ser ele um assaltante, um bandido ou delinquente qualquer, talvez um maluco andarilho. Ele não demostrou surpresa pelo fato das pessoas assim agirem, parecia acostumado com isso, com essa humilhação, sabia que a sua aparência era assustadora apesar de saber que não era um marginal, parecia não estar ali naquele momento, noutro mundo, não ligar para o que acontecia a sua volta, parecia nada temer, talvez se a Terra explodisse para ele seria normal. Temia somente um novo ataque de bronquite que se avolumava no seu pulmão devido a tosse grossa e pesada que insistia na sua garganta a fazer tremer a sua longa e imunda barba que carregava em igual modo com o seu cabelo escarafunchado e embuchado tal qual uma casa de cupim . As suas perspectivas eram as piores possíveis. Certamente mergulhado em pensamentos pessimistas, nem sequer notou que eu sem disfarçar tanto olhava para ele querendo me lembrar de onde o conhecia, até que o guarda do banco chegou de um possível cafezinho e me falou: - Tá vendo o que o crack faz? ... Ele era um Advogado!... 

Foi aí que tudo emergiu, veio à tona; foi ai que tudo me chegou à mente; foi ai que o mistério foi revelado; foi ai que pude decifrar todos seus segredos; foi ai que vi o quanto o destino das pessoas pode ser cruel para uns e bondoso para outros; foi aí que eu vi aquele cidadão, antes promissor Advogado conversando comigo em algumas oportunidades nos corredores do Tribunal de Justiça e em determinada Delegacia que trabalhei, assuntos relacionados a Processos criminais ou Inquéritos policiais; foi aí que me lembrei de uma reportagem que um jornal sergipano fez sobre uma mãe em desespero querendo libertar o seu querido filho, estudioso, carinhoso, alegre e feliz com a vida, então Advogado preso nas garras do crack; foi ai que soube que os familiares desse cidadão tentavam interna-lo em clinica apropriada, mas ele se recusava tal tratamento por conta do poder avassalador e sobrenatural do crack que o arrastava cada vez mais para o fundo do poço; foi ai que lembrei que aquele Advogado entrou no imundo mundo do crack por conta de ter se envolvido com um traficante após conseguir sua liberdade na Justiça; foi ai que lembrei da citada matéria jornalística dizendo que aquele Advogado se desfez do seu escritório, do seu carro, dos seus bens, vendendo ou trocando tudo pelo crack ou para pagar dívidas com traficantes; foi ai que eu senti que aquele cidadão abandonou a sua casa e passou a morar no submundo da sociedade de Aracaju, nas ruas, no mercado central, nas marquises dos prédios ou em pensões baratas junto à prostituição rasteira, com seus iguais, pelo crack e para o crack; foi ai que eu imaginei que aquele cidadão então sobrevivia de algum dinheiro que ainda restava da venda dos seus bens, ou quem sabe, de depósitos efetuados por familiares na sua conta bancaria; foi ai que eu vi que um cidadão bem vestido, alinhado, com terno, paletó e gravata impecáveis pode se transformar num mendigo, num zumbi, num morto-vivo; foi ai que eu vi que a vida daquele cidadão era somente o crack. 

Certamente sentindo-se arrasado, desesperado, impotente para resolver o seu próprio infortúnio, o seu calvário, lançando um olhar no passado esse cidadão, antes feliz Advogado, viu o rumo errado que tomou, mas não teve forças para voltar atrás, não queria se curar, não admitia tratamento porque o crack era mais forte do que a sua vontade, o crack era mais forte do que ele. O seu presente era só o crack, o crack como o senhor do seu viver, o crack como seu dominador, o crack como destruidor da sua família, o crack como aniquilador da sua vida. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas.

O crack é o grande mal do século, o mal dos males, a pior de todas as drogas, que se não for um mal que todos nós estejamos esclarecidos, irá nos afetar em qualquer momento de nossa vida ou na vida de quem mais amamos, como de fato aconteceu com esse cidadão e sua família, um jovem que estudou nos melhores colégios, que teve boas amizades, que se formou em Direito, que se tornou um Advogado, que tinha um bom escritório, que pretendia ser juiz por isso adormecia em cima de livros de tanto estudar, que tinha um bom futuro pela frente, mas que por ironia do destino, pelo poder sobrenatural dessa droga, tudo trocou pelo crack.

Rodeado e instado pelos sentimentos humanitários de enternecimento, compaixão, piedade até porque sempre fui dos maiores combatentes do crack, tanto na área repressiva quanto preventiva, com prisão de grandes traficantes na minha careira policial e inúmeros artigos de minha autoria pertinentes ao tema publicados em centenas de sites do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, logo pensei em falar com ele, oferecer algum tipo de ajuda moral, espiritual, mas seu olhar sisudo e com possibilidade de algum tipo de agressão me afastaram, me reprimiram até porque ele também não me reconheceu. Entretanto, todas as vezes que caminho pela citada área de Aracaju, procuro em vão e insistentemente com os meus curiosos olhos pelo triste cidadão entre os inchadinhos de cachaça ou barbudinhos zumbis do crack em muitos espalhados pela redondeza. Se o cidadão aceitou fazer tratamento, se fez ou faz tratamento em clinica de recuperação não sei, só sei que o poder de imensa e infinita bondade do nosso Criador pode sobrepor e derrotar o poder sobrenatural do crack como assim já fez com muitos. Assim, um dia espero ver aquele alegre Advogado de volta aos corredores do Tribunal de Justiça ou em Delegacias defendendo os seus clientes, menos os traficantes.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) - archimedes-marques@bol.com.br 

SOS Vida

Cinco motivos para parar de fumar agora   

Estudos estimam que o Brasil tenha cerca de 25 milhões de fumantes com idade igual ou superior a 15 anos.
Até mesmo quem não é louco por cinema conhece a clássica cena do filme "Gilda" (1946) em que Rita Hayworth aparece em um longo preto, com luvas e cigarro em mãos. Situações como essa ajudaram a criar a ideia de que fumar era uma arma de sedução.

Até hoje essa imagem de falso glamour prevalece, e o principal difusor já não o cinema, e sim a publicidade. Dados da Pesquisa Especial de Tabagismo, divulgada em agosto de 2010 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), mostram que os jovens entre 15 e 24 anos são o alvo preferencial da indústria do tabaco. O estudo comprovou: quem tem menos de 30 anos começa a fumar, em média, aos 17.

O cigarro exerce, de fato, uma atração que atende pelo nome de nicotina, a substância viciante que dá aquela segurada no estresse e na ansiedade. Mas ele ainda é composto por mais de 4.700 substâncias tóxicas que causam danos em quase todas as partes do corpo. Cerca de 50 componentes provocam alteração na estrutura genética das células, contribuindo para a ocorrência de diferentes tipos de câncer.
RESPIRE MELHOR
Embora só comece a dar as caras depois de 15 anos, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), antigamente conhecida como enfisema pulmonar, provoca o estreitamento das vias respiratórias, dificultando a renovação do oxigênio. Seus principais sintomas são tosse, produção de catarro e falta de ar. "Estima-se que até 2025 a DPOC será a terceira causa de morte no mundo", avisa a coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia Irma de Godoy. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 90% dos diagnósticos o câncer de pulmão está associado ao fumo.
SOCO NO ESTÔMAGO
A nicotina contribui para aumentar a produção de ácido clorídrico, o que favorece a ocorrência de gastrite e úlcera. "Fumantes também sofrem com mais frequência da doença de refluxo gastroesofágico, que faz a pessoa sentir um líquido azedo subindo pela garganta", esclarece o secretário-geral da Associação Brasileira de Gastroentereologia, Ricardo Bartuti.
BATE-CORAÇÃO
Segundo Carlos Alberto Machado, cardiologista do Comitê Antitabaco da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a nicotina e o monóxido de carbono levam à descamação do endotélio, membrana que reveste os vasos sanguíneos, facilitando o depósito de gorduras. Com os vasos obstruídos, pode ocorre o infarto.

Para quem usa pílula anticoncepcional e fuma, o problema pode ser maior. Jovens fumantes que tomam anticoncepcional têm dez vezes mais probabilidades de sofrer um ataque cardíaco e aumentam em 39% o risco de desenvolver doenças coronarianas e, em 22%, de acidentes vasculares cerebrais.

"A pílula e a nicotina agem na coagulação do sangue, favorecendo a formação de trombos, que podem se deslocar, causando problemas", alerta a coordenadora do Centro de Tratamento do Tabagismo do Inca Cristina Cantarino.
VELHA-JOVEM
As rugas nos fumantes aparecem 20 anos antes do que nos não fumantes. "Os danos do cigarro à pele são piores que os dos raios solares. A nicotina age nas camadas profundas da pele, inibe a produção de substâncias vasodilatadoras e diminui, por consequência, o calibre dos vasos sanguíneos. Isso afeta a circulação, impede que o oxigênio e os nutrientes cheguem na quantidade devida às células, gerando rugas acentuadas", explica o professor de dermatologia da Santa Casa de São Paulo Marcus Maia.

Essas marcas não podem ser regeneradas nem por cosméticos (nenhum produto é capaz de atingir as fibras de colágeno afetadas pelo cigarro), nem por cirurgias plásticas. Para piorar, fumantes enfrentam dificuldades ao passar por procedimentos cirúrgicos, já que o cigarro danifica as fibras de colágeno e deixa a pele mais flácida, dificultando a cicatrização no local da sutura.
TERRENO INFÉRTIL
Segundo pesquisa da Universidade de Oslo, a combinação monóxido de carbono mais nicotina pode antecipar a menopausa. A primeira substância reduz o volume de oxigênio no corpo, o que determina uma queda na produção do hormônio estrógeno até seu fim. Já a nicotina faz com que o corpo gaste mais rápido esse mesmo hormônio.

Quem fuma também diminui sua taxa de fertilidade em 40% - as substâncias nocivas da fórmula do cigarro interferem na ovulação. Outro mal causado ao sistema reprodutor é o aumento do risco do câncer de colo do útero. "Fumar diminui as defesas e favorece a contaminação pelo vírus HPV, principal responsável por esse tumor", explica o coordenador da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia Luciano Pompei.
Fonte:Centershop/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Recuperação

Clínicas de Tratamento e Recuperação: o que é preciso saber antes de internar? 


Se seu filho está usando drogas 

- Procure informação e, se possível ajuda especializada mesmo, antes de conversar com o seu filho. Ele sempre terá um argumento para justificar o uso, além de minimizar o problema 

- Não permita que seu filho fume maconha dentro de casa, a fim de manter o controle. Essa atitude, além de proibida por lei, não diminui os riscos 

- Se o seu filho está arredio e não quer te escutar, procure alguém que ele respeite, como um parente ou amigo da família 

- Leve - o para um psicólogo ou psiquiatra especializado. Além de mostrar que ele está prejudicando a própria vida, a terapia pode ajudar nas questões que o levaram a buscar a droga. È importante que o profissional tenha experiência na área 

- Participe de grupos de ajuda mútua dirigidos para pais de dependentes, ainda que seu filho não esteja em tratamento. Mudando seu comportamento, é possível que seu filho decida se tratar 

- Coloque limites em casa, como delegar tarefas, controlar o dinheiro e impor horários. Enquanto o jovem tem tudo o que precisa, dificilmente sente - se estimulado a largar as drogas 

-  Seja firme e nunca volte atrás. Negar ajuda pode ser melhor ajuda 

- Lembre - se que, pagando dívidas que seu filho fez com traficantes, você pode estar dando início a um ciclo vicioso. Não deixe de procurar ajuda quando a situação envolver traficantes 

Fonte: Antônio Rabello Filho, do Instituto Souza Novaes, coordenadores do grupo Amor Exigente, psicóloga Lygia Humberg, da USP, psicóloga Neliana Figlie,da Unifesp, livro "Anjos Caídos", do psiquiatra Içami Tiba, psiquiatra José Antonio Ribeiro e psicólogo Marcos Govoni 
G., 19 ANOS (EX-USUÁRIO) 
"As crises começaram a ficar freqüentes e cheguei até a bater na minha mãe"

"Como a maioria, comecei minha escalada com o álcool, aos 11 anos. Parti para a maconha e depois queria experimentar tudo. A primeira vez que tomei ecstasy foi em uma rave. Nessa fase eu freqüentava morro, mas começou a rolar muito tiroteio. Teve uma vez em que eu estava indo comprar maconha na Rocinha e começou uma troca de tiros doida entre a polícia e os bandidos. Um cara que estava do meu lado foi atingido. Fiquei impressionado com aquela cena. Podia ter sido comigo. Quando passei a tomar "bala" (ecstasy) o contexto mudou. Era outro mundo, bem menos perigoso. Numa rave, o máximo que acontece são os seguranças tomarem tua droga para vender para os outros. Só percebi que estava no fundo do poço no dia que cheguei em casa e comecei a discutir com minha irmã. Fui ficando irritado, quebrei tudo e ameacei me jogar do 2o andar. Depois as crises começaram a ficar mais freqüentes e cheguei até a bater na minha mãe. Fui internado e estou limpo há seis meses."

Fonte: Revista Época

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DO CONSUMO EXCESSIVO DO ÁLCOOL

 Pesquisa britânica revela que álcool é mais nocivo que crack, heroína, cocaína e outras drogas recreativas.
Pesquisa realizada na Universidade de Bristol, no Reino Unido, aponta que o álcool é mais prejudicial que drogas recreativas e ilegais como crack, heroína e cocaína. A pesquisa, liderada pelo cientista britânico David Nutt, foi publicada no dia primeiro de novembro no periódico médico Lancet e leva em conta os danos ocasionados à saúde do usuário, os efeitos negativos na família e comunidade, além de gastos com saúde pública e prisão. O estudo analisou 20 drogas, entre as quais estão maconha, LSD, ecstasy, anabolizantes e tabaco. Numa escala de risco em que 100 é o máximo e zero o mínimo, as bebidas ficaram com 72 pontos, contra 55 para a heroína e 54 para o crack. A lista continua com metanfetamina (33), cocaína (27), tabaco (26), anfetaminas (23) e maconha (20). Cogumelos (5), LSD (7) e ecstasy (9) ficaram entre os menos prejudiciais.“A bebida alcoólica existe desde os tempos bíblicos, conhecida por todas as civilizações”, afirma a psicóloga e especialista em dependência química pela Unifesp, Helena Sakiayama. “E até nos dias atuais ela é utilizada não apenas em rituais e cerimônias religiosas, mas está presente em praticamente todas as ocasiões sociais como reuniões de celebrações, alegria, lazer e relaxamento”.Segundo a psicóloga, o álcool também tem uma função mediadora da sociabilidade e é agente de desinibição e estimulador das relações entre seus pares. Assim, existe um discurso social em que o álcool figura como uma droga lícita e que não gera danos à saúde. Helena ressalta que os meios de comunicação e propaganda exercem grande influência sobre a massa, principalmente entre os jovens, por captarem no imaginário popular o ideal e o sonho da beleza, sedução, conquistas e felicidade.
Ela ainda afirma que o alcoolismo é considerado uma doença formalmente reconhecida pela OMS(Organização Mundial da Saúde), sendo caracterizada como uma doença progressiva, incurável e que pode levar a morte. Há estudos indicando que não há consumo de álcool isento de riscos. Embora seja uma questão polêmica, existe um nível de consumo associado a baixo risco de desenvolver problemas. O nível de consumo considerado de baixo risco para homens é de 21 unidades de álcool (uma unidade de álcool = 10-12 gramas de álcool puro) no período de uma semana e para mulheres é de 14 unidades de álcool no período de uma semana.
Segundo a psicóloga, nossa sociedade e a própria família vê o alcoolista com preconceito, pela falta de conhecimentos e esclarecimentos, sobre esta complexa doença. “Existe ainda um discurso social com resquícios das idéias do passado de cunho moral que compreendia o alcoolismo como uma violação consciente das normas sociais e, portanto passíveis de castigos e punições”, expõe. Helena esclarece que não se trata de fraqueza ou de falta de vontade, como muitos julgam, e explica que a dependência alcoólica está inserida num complexo de fatores biológicos, psicológicos, sociais que subtraem do alcoolista a liberdade de escolher, possibilidades de julgar e tomar decisões adaptativas para não beber .

O alcoolismo e suas consequências
O termo álcool segundo VARGAS (1990, p.19)  “originou-se de uma palavra árabe Kuhil ou Kohol e significa pó fino”. Embora se saiba muito pouco sobre o uso de bebidas alcoólicas na pré-história, supõe-se que o homem devia conhecê-la. Na bíblia existe referência de que Noé fez vinho e se embriagou. O álcool é uma substância que causa dependência popularmente chamada de alcoolismo. Essa doença atinge cerca de 10% a 15% da população mundial e preocupa enormemente os sistemas de saúde. O álcool é a mais consumida de todas as drogas. O desenvolvimento da dependência é lento, comparado com outras drogas e freqüentemente leva o organismo a tolerância e o usuário passa a ingerir doses cada vez maiores para alcançar os mesmos efeitos obtidos anteriormente. Tem sido um poderoso agente de criminalidade, de desagregação pessoal, familiar e social. O uso indiscriminado e abusivo do álcool vem se difundindo em todos os países inclusive no Brasil incluindo-se no rol das patologias sociais independente de classe econômica, sendo um produto de centros urbanos e também de zona rural. O alcoolismo é considerado doença desde 1967, a partir da 8ª Conferência Nacional de Saúde.
No CID-10: Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento traz especificado que uma intoxicação causada por álcool pode resultar em “perturbações no nível da consciência, cognição, percepção, afeto ou outras funções psicofisiológicas”. Pode ocasionar o início de agressão e freqüentemente comportamento violento que não é típico do indivíduo enquanto sóbrio.
SINAIS E SINTOMAS DO ALCOOLISMO:
O conceito de síndrome de dependência do álcool é usado na medicina para designar um agrupamento de sinais e sintomas que nem sempre estão todos presentes, mas devem apresentar uma regularidade para permitir o reconhecimento clínico da mesma. É uma doença caracterizada pelos seguintes elementos:
Compulsão: Uma necessidade forte ou desejo incontrolável de beber.
Perda de controle: a inabilidade freqüente de parar de beber uma vez que a pessoa já começou.
Dependência física: a ocorrência de sintomas de abstinência, como náusea, suor, tremores, e ansiedade, quando se para de beber após um período bebendo-se muito. Tais sintomas são aliviados bebendo-se álcool ou tomando-se outra droga sedativa.
Tolerância: Necessidade de aumentar a quantidade de álcool para se sentir “alto”.
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO ÁLCOOL
Quando a dependência é muito avançada, o indivíduo pode experimentar sintomas graves na ausência do álcool, que podem ser observados todas as manhãs, ou até o meio da noite. Os sintomas fundamentais para indicar a crise são os tremores, náusea, sudorese e perturbação do humor. Além desses podem aparecer coceiras pelo corpo, cãibras musculares, perturbações do sono, alucinações, convulsões e o quadro completo de sintomas desenvolve o que chamamos de Delirium Tremens. Muitas vezes a cessação desses sintomas de abstinência se dá pelo aumento da ingestão da bebida. O dependente vai tentar manter certo nível alcoólico para que estes sintomas não apareçam (ingestão de alívio).
ALTERAÇÕES PSICOSSOCIAIS
O fracasso social do alcoolista já é algo esperado. Normalmente ele não consegue cumprir com seu papel social desejado. Não corresponde as expectativas como membro da família, empregador ou empregado, vizinho ou cidadão respeitador das leis. Silveira relaciona algumas implicações do beber exagerado:
·         Ruína Financeira: o alcoólatra quando embriagado, perde toda a noção de economia e do valor do dinheiro.
·         Ruína Física: a saúde do alcoólatra é precária e seus dias são abreviados. Desnutrido, carente de vitaminas e proteínas, cai presa fácil das doenças infecciosas, morrendo prematuramente.
·         Ruína mental: a mente do alcoólatra é confusa, sua memória e capacidade de raciocinar são reduzidas. Seus atos são muitas vezes irresponsáveis e de cunho doentio.
·         Ruína Moral: as justas ambições desaparecem e o único objetivo de sua vida é esvaziar mais um copo (SILVEIRA, 1981, p.49).
O alcoolista muda muito freqüentemente de trabalho e vive no auxílio-doença na medida em que sua enfermidade evolui. Os acidentes e as ausências também exercem papel de destaque.
A esposa e os filhos são as pessoas mais atingidas vindo logo em seguida os pais, irmãos, tios, avós etc. A esposa tem que lidar com problemas emocionais e no nível da realidade. Os filhos sofrem psicologicamente tendo transtornos de ansiedade, maior incidência de depressão, baixa auto-estima e podendo ser também um risco latente de alcoolismo mais tarde. Por ter um lar perturbado tem mais chances de se envolver com drogas. Quando a mulher é a dependente o casamento tende a durar bem menos. O homem não consegue suportar uma situação dessas por muito tempo.
PROBLEMAS DE RELACIONAMENTO:
Quanto avançada à doença, maior é a chance de ter problemas em casa, no trabalho, com amigo e até estranhos. E podem incluir:
·         Discussões ou brigas com sua/seu cônjuge e outros membros da família;
·         Desgaste na relação com colegas de trabalho ou chefia;
·         Faltar ou chegar atrasado ao trabalho com freqüência;
·         Perda de emprego devido à baixa produtividade; e
·         Cometer ou ser vítima de atos violentos.
PROBLEMAS CLÍNICOS DO ALCOOLISMO:
A ingestão contínua do álcool desgasta o organismo ao mesmo tempo em que altera a ente. Surgem, então, sintomas que comprometem a disposição para trabalhar e viver com bem estar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade no trabalho, podendo levar à desagregação familiar e ao desemprego.
Alguns dos problemas mais comuns da doença são:
 No estômago e intestino
Gases: Sensação de "estufamento", nem sempre valorizada pelo médico. Pode ser causada por gastrite, doenças do fígado, do pâncreas, etc.
Azia: Muito comum em alcoolistas devido a problemas no esôfago.
Náuseas: São matinais e ás vezes estão associadas a tremores. Podem ser consideradas sinal precoce da dependência do álcool.
Dores abdominais: Muito comum nos alcoolistas que têm lesões no pâncreas e no estômago.
Diarréias: Nas intoxicações alcoólicas agudas (porre). Este sintoma é sinal de má absorção dos alimentos e causa desnutrição no indivíduo.
Fígado grande: Lesões no fígado decorrentes do abuso do álcool. Podem causar doenças como hepatite, cirrose, fibrose, etc.
 No Sistema Cardiovascular :
O uso sistemático do álcool pode ser danoso ao tecido do coração e elevar a pressão sangüínea causando palpitações, falta de ar e dor no tórax.
 Glândulas:
As glândulas são muito sensíveis aos efeitos do álcool, causando sensíveis problemas no seu funcionamento.
Impotência e perda da libido. O indivíduo alcoolista pode ter atrofiados testículos, queda de pêlos além de ginecomastias (mamas crescidas).
 Sangue:
O álcool torna o individuo propício às infecções, alterando o quadro de leucócitos e plaquetas, o que torna freqüente as hemorragias.
A anemia é bastante comum nos alcoolistas que têm alterações na série de glóbulos vermelhos, o que pode ser causado por desnutrição (carência de ácido fólico).


ABSTINÊNCIA - COMO MANTER-SE EM RECUPERAÇÃO

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Frase do dia!!!!
"A vontade de DEUS nunca irá levá-lo aonde a Graça
de DEUS não irá protegê-lo..."

É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa.
Mas a graça das graças é não desistir nunca.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como posso saber, se sou um alcoolatra?

Os Alcoólicos Anônimos têm um questionário de 12 perguntas que podem ser respondidas por quem quer saber se está perdendo o controle sobre o álcool e deve procurar ajuda. A partir de quatro respostas positivas são um sinal de alerta:

1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?

2. Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?

3. Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?

4. Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?

5. Inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas?

6. Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?

7. A bebida já criou problemas no seu lar?

8. Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?

9. Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer?

10. Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida?

11.Já experimentou alguma vez 'apagamento' durante uma bebedeira?

12. Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse?

Se houver 4  ou mais perguntas afirmativas, procure um grupo de ajuda .

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alcoolismo
Conceito etimológico- A palavra álcool é de origem árabe: al e cohol que significam sutil.
As bebidas têm
 origem remota. Todas as civilizações e povos antigos como tártaros, egípcios, chineses, gregos, romanos, etc, sabiam como fabricar bebidas alcoólicas. Eram feitas com as mais diferentes substâncias como frutas, folhas e cereais fermentados ou destilados. A cerveja, que é uma bebida fermentada, já era conhecida na Babilônia, 5.000 anos a . C. e na China era feita de arroz.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, "alcoólatras são bebedores excessivos cuja dependência ao álcool chega ao ponto deles apresentarem perturbação mental evidentemente, manifestações afetando sua saúde física e mental, suas relações individuais,
 comportamento social e econômico ou pródromos de perturbações deste gêneros e que por isto necessitam de tratamento." Nem todo alcoólatra sofre de alcoolismo, mas está no caminho certo para chegar lá. Depende da tendência, da estrutura psíquica e orgânica de cada um. A O.M.S. realizando um estudo profundo sobre o alcoolismo considera-o um problema de saúde pública e apresenta uma classificação dos bebedores em: moderados, sóbrios, sociais, agudos e crônicos. As complicações físicas se apresentam mais acentuadamente nos agudos e crônicos, o que ocorre é que muitas vezes os moderados e os sombrios aumentam aos poucos as doses passando para bebedores inveterados e irrefreáveis.
Motivos: São diversos os motivos pelos quais a
 pessoa ingere álcool: para evitar e melhorar um dor, por causa de uma preocupação qualquer, de um desajuste em casa ou no trabalho, por um sentimento de inferioridade. De um modo geral, podemos classificar os motivos da seguinte forma: pessoais, culturais, sociais e religiosos.
Pessoais – por qualquer problema que cause aborrecimento, a
 pessoa bebe.
Culturais - a produção, a industrialização e a propaganda consolidaram costumes que se incorporam na cultura, tornando um
 estilo de vida. Tanto o rico como o pobre a utilizam e tem o hábito de oferecer a visitas um aperitivo.
Sociais – quando por elegância, em reuniões sociais aceita-se bebida, pois do contrário, não tomar
 nada seria ofensivo.
Religiosos – quando a
 pessoa bebe, julgando prestar uma homenagem à divindade. A bebida alcoólica é utilizada pelas religiões primitivas e dogmáticas.

Ação do álcool no organismo humano
O álcool exerce uma ação terrível em todo o organismo, como: sangue, coração, cérebro, aparelho digestivo ( boca, faringe, esôfago, garganta, estômago, intestinos, fígado e pâncreas), aparelho respiratório ( laringe, brônquios, pulmões),
 órgãos dos sentidos como vista e ouvidos, órgãos secretores da urina, os rins.
O sangue nutre o corpo. Leva, através dos vasos sangüíneos, para os tecidos os
 elementos necessários à sua reconstituição. No sangue há bilhões de glóbulos vermelhos. O álcool altera esses glóbulos e o sangue nutre mal ou deixa de nutrir os tecidos dos pulmões, do coração, do cérebro, etc. O cérebro é o órgão que recebe mais sangue e por isto mesmo é nele que o álcool é mais nocivo. As moléstias produzidas pelo álcool no cérebro são: hemorragia e amolecimento cerebral, alienação mental e loucura.

Conseqüências Espirituais do
 vício - Vício: Defeito Moral.
Kardec na questão 265 do O livro dos Espíritos coloca: "Se alguns Espíritos escolhem o contato com o
 vício, como prova, há os que o escolhem por simpatias e pelo desejo de viver num meio adequado aos seus gostos, ou para poderem entregar-se livremente as suas inclinações materiais?" E a resposta é incisiva: " Há por certo, mas só entre aqueles cujo senso moral é ainda pouco desenvolvido; a prova decorre disso e eles a sofrem por tempo mais longo. Cedo ou tarde compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para eles conseqüências deploráveis, que terão de sofrer durante um tempo que lhes parecerá eterno."
André Luiz no livro Nos Domínios da Mediunidade, cap. 15, mostra o freqüentador
 de bares que ao sair totalmente embriagado, não está sozinho, junto a ele, num processo de simbiose uma entidade das sombras que se justapunha ao outro exibindo as mesmas perturbações.
Explica que é "vampirismo
 ritual'>espiritual", ou seja, ação dos rito'>espíritos inferiores encarnado'>desencarnados que viciosos imantam-se às suas vítimas, absorvendo-lhes fluidos vitais. Com o tempo destroem as células perispirituais que criará grandes problemas de saúde numa próxima reencarnação. O retorno num novo corpo será doloroso com moléstias muito graves, doenças mentais- hidrocefalias- paralisias – cegueiras – idiotismo e vários tipos de câncer.
Joanna de Ângelis no livro Após a Tempestade diz, “... a vinculação alcoólica, por exemplo, escraviza a mente desarmonizando-a e envenena o corpo deteriorando- o, tem início através do aperitivo inocente, que logo se converte em dominações absoluta. A pretexto de comemorações, festas, decisões não te comprometas com o vício, na suposição de que dele te libertarás quando queiras, pois que se os viciados pudessem querer não estariam sob essa violenta dominação.
                                                     Centro Espírita Caminhos de Luz